Terça-feira, Novembro 06, 2007

Liv, liv

E deixe-me viver

do amor e alguns cigarros

Ai
como me lembro de mim

ali
andante daquelas ruas alegres
escuras e cheias
das noites que a gente sempre lembra

e lembra assim
como num soco
como num sombrio desencanto
daquilo que deixamos de ser
para dar esse espaço do que agora
chamamos de eu

Nem quero
saber mais dessas esquinas
As prefiro
junto as nuvens loiras
dos brincos brilhantes
e das cachaças coloridas

Observo a seleção
a edição cuidadosa
daquilo que deixo
e daquilo que fico

Você, amor meio perdido
nunca me esqueço
da beleza que me fazes brotar
dos sorrisos que escapam
de mim

Assim,
que é isso de amar
se não
essa vontade de
contar
tudo aquilo
que geras em mim.

para você

Eu jogo pérolas aos poucos ao mar
Eu quero ver as ondas se quebrar
Eu jogo pérolas pro céu
Pra quem pra você pra ninguém
Que vão cair na lama de onde vêm

Eu jogo ao fogo todo o meu sonhar
E o cego amor entrego ao deus dará
Solto nas notas da canção
Aberta a qualquer coração
Eu jogo pérolas ao céu e ao chão

Grão de areia
O sol se desfaz na concha escura
Lua cheia
O tempo se apura
Maré cheia
A doença traz a dor e a cura
E semeia
Grãos de resplendor
Na loucura

Eu jogo ao fogo todo o meu sonhar
Eu quero ver o fogo se queimar
E até no breu reconhecer
A flor que o acaso nos dá
Eu jogo pérolas ao deus dará

De Wisnik e Paulo Neves em poema de Drummond

Uma astronauta

Então,
em meio a elogios de DaMatta ao seu Vic.
Em meios as mudanças que os sessenta traziam aos setenta
que nasciam da vontade de dirigir os rumos
ainda sem rumo desse Brasil dos 2007,
que recebo sua ligação.

São as tempestades solares, minha cara.
São as pérolas ao céu.
Que eu jogo, também.

Num compasso esquisito de sensibilidades
distantes
Mas tocadas sempre que mudanças são vistas
no horizonte.

Se Deus é a nossa invenção nativa.
Se a natureza nossa muleta mais concreta
na crença de que somos mais
nisso de caos que agita o mundo

Somos alguma coisa que não se vê
Mas se sente todo o dia

Se sente na lembrança daquelas arestas vermelhas
Das manchas e feijoadas às duas da manhã
Dos filmes italianos que dormi sem ver
Dos mesmos que revi pensando em você.

Ô musa de cachos insones
De música plena
O exu mais titubeante que
já batucou por aqui.

Aqui, também
serena fico.

É bom te ouvir.

Que as encruzilhadas gestem
nossas vidas.
E que esse vermelho encarnado
e feminino,
nunca nos abandone.

Quarta-feira, Julho 11, 2007

O tempo não pára?




Ou é a gente que para com ele?

Terça-feira, Junho 19, 2007

Antiga atividade

Recuperando o fôlego.
Num retorno pouco esperado, mas legítimo.

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

pois é, não deu
deixa assim, como está, sereno
pois é de deus tudo aquilo que não se pode ver
e ao amanhã a gente não diz
e ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver
avisa que é de se entregar o viver

pois é, até onde o destino não previu
sem mais, atrás vou até onde eu conseguir

deixa o amanhã e a gente sorri
que o coração já quer descansar
clareia a minha vida, amor, no olhar
clareia a minha vida, amor, no olhar

como pode ser

Tão difícil assim
Relacionar o outro
a mim.

O eu sou é o
querer ser.

E como desejar
é importante
para continuar
desejando.

Serena.

Deixando o telefone
tocar sem atender.

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Eu já arranhei os seus discos

Sans

Tenho muito pouco tempo
Para perceber
Que o cigarro dura pouco
Na mão
Dura muito na ilusão
E existe tempo todo na percepção

Dois minutos do meu dia longo
Do meu dia curto
Dois minutos
Duas horas
Dois dias de ilusão

Cai fora ane.
Cai fora.
Enquanto arrumo a cama
E tiro o plástico oleoso
De dentro de mim.

Domingo, Setembro 03, 2006

Justo aqui

Com a cozinha da sua bagunça
Com o queijo do seu palaldar
Com a ervilha torta
Do meu paladar

Repito os erros gerais
Os instantes
De rejeição
Do estranho gostar
Que nunca deixa ficar

Aérea me faço
No fogo que queima
Constante no peito
Perene no olhos
Tu sabe

Só tu
A anos correntes
Só tu, percebes?

QUe cortesã
Agora não me atendes
Não me gritas
Não me socorres

Dessa fumaça leve
E sombria
Que a cama vazia
Ressalta

Que o gato reclama
Que o corpo estranha
Percebes?

Que estamos?
Vinho francês.
Tortas ervilhas.
Louça na pia.

Percebes?

O quanto de ti
Falta em mim?

O quanto de mim
Encontra espaço pequeno em ti.

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

E isso porque...

Vinte cigarros nunca darão conta
Daquilo que enche pulmões ávidos
Pérpertuos de novos transes
De novas histórias novas.
Do desejo de saber.

Te digo, garota
Não é só querer.

Mudar é a loucura do tempo,
E nada sabes do tempo,
Cartesiano, diria.

Senhora dos cachos
Italianos olhares.

Não sabes nada
Sobre o querer.

Sabes sobre
O dizer.

Mas querer morena, sabes não
Sabes tão pouco quando exiges
De mim o sim ou o não.

Sabes tão pouco,
quando, minha pequena.

Te nutro,
A cada dia,
Te espelho.

O tempo que
escorre a razão.

És razão pequena.

Te quero
muito mais.
Racionalmente,
Tua cor parece
Igual a minha.

Tem peito similar.
Na forma.
No sentir.
E os felinos são testemunhas.
Quero muito bem.

Duas velas

É tarde, pequena

É bem tarde no relógio.
Mas sabes sobre essa conveção.
Pura convenção filosófica.

Que o vinho destrói num gole.
Destruição .

Tão bom de escrever.
Tão bom de pensar
Destruir.

Um brinde ao des.
Ao estar longe,
Mas tão perto.
De descrever os cheiros,
As cores que queria na tua parede.

Vivo teu gosto a cada noite
Sem te ter.
Cada noite que te nego.
Que te questiono aqui,
Bem dentro de mim.

Nem sei mais,
As paredes já são carmim,
As imagens já são magníficas,
Sabes?

Já são ilusão púrpura.
Sabes?

Sei bem.

Mas tu só compreendes os cachos.
Qualidades.
Poesia de outras décadas.

É pura poesia.
Tudo o que o café revela.
O que o leite reclama.
O que o o ovo consolida.

Deixa acontecer.
Essa música que toca.
Repetida.

Igual.
Igualzinho ao que sinto.
Todo dia quando penso em ti.

Pequena.
Além do ego.
Além do ser.
Eu sinto.
Bem diferente desse teu ai.

Eu sinto.
Tua pele aqui,
Teu gosto aqui,
Um retrato.

Daquilo que a
gente escolheu ser.