Então,
em meio a elogios de DaMatta ao seu Vic.
Em meios as mudanças que os sessenta traziam aos setenta
que nasciam da vontade de dirigir os rumos
ainda sem rumo desse Brasil dos 2007,
que recebo sua ligação.
São as tempestades solares, minha cara.
São as pérolas ao céu.
Que eu jogo, também.
Num compasso esquisito de sensibilidades
distantes
Mas tocadas sempre que mudanças são vistas
no horizonte.
Se Deus é a nossa invenção nativa.
Se a natureza nossa muleta mais concreta
na crença de que somos mais
nisso de caos que agita o mundo
Somos alguma coisa que não se vê
Mas se sente todo o dia
Se sente na lembrança daquelas arestas vermelhas
Das manchas e feijoadas às duas da manhã
Dos filmes italianos que dormi sem ver
Dos mesmos que revi pensando em você.
Ô musa de cachos insones
De música plena
O exu mais titubeante que
já batucou por aqui.
Aqui, também
serena fico.
É bom te ouvir.
Que as encruzilhadas gestem
nossas vidas.
E que esse vermelho encarnado
e feminino,
nunca nos abandone.